fevereiro 27, 2006
fevereiro 24, 2006
La Première Pose
.
Em ti o meu olhar fez-se alvorada
e a minha voz fez-se gorgeio de ninho
e a minha rubra boca apaixonada
teve a frescura pálida do linho..
Embriagou-me o teu beijo como um vinho
Fulvo de Espanha, em taça cinzelada..
e a minha cabeleira desatada
pôs a teus pés a sombra dum caminho..
Minhas pálpebras são cor de verbena,
eu tenho os olhos garços, sou morena,
e para te encontrar foi que eu nasci..
Tens sido vida fora o meu desejo
e agora, que te falo, que te vejo,
não sei se te encontrei.. se te perdi.
Em ti o meu olhar fez-se alvorada
e a minha voz fez-se gorgeio de ninho
e a minha rubra boca apaixonada
teve a frescura pálida do linho..
Embriagou-me o teu beijo como um vinho
Fulvo de Espanha, em taça cinzelada..
e a minha cabeleira desatada
pôs a teus pés a sombra dum caminho..
Minhas pálpebras são cor de verbena,
eu tenho os olhos garços, sou morena,
e para te encontrar foi que eu nasci..
Tens sido vida fora o meu desejo
e agora, que te falo, que te vejo,
não sei se te encontrei.. se te perdi.
La première pose
by P. Carriere Belleuse
"Realidade" by Florbela Espanca
fevereiro 23, 2006
fevereiro 22, 2006
dois estranhos numa banheira
Sinto o calor que me envolve
lentamente,
Invade-me
Penetra-me
provoca-me um arrepio..
Sois a água quente
no meu banho de espuma
que traga o meu odor
e atiça o meu cio.
lentamente,
Invade-me
Penetra-me
provoca-me um arrepio..
Sois a água quente
no meu banho de espuma
que traga o meu odor
e atiça o meu cio.
fevereiro 21, 2006
# 3
Quando dormes
e te esqueces
o que vês?
Tu quem és?
.....
...
"Adeus, não afastes os teus olhos dos meus"
by David Fonseca
e te esqueces
o que vês?
Tu quem és?
.....
...
"Adeus, não afastes os teus olhos dos meus"
by David Fonseca
fevereiro 20, 2006
Introspectivas
# 2
Espreito cá para dentro
e sinto vertigens:
Um abismo imenso
profundo,
densamente vazio
que vejo que sou
Onde habitam os meus
fantasmas.
Ouço-lhes os gritos,
Sinto-lhes as mágoas -
pensam que os esqueci.
Ao tempo que vivem em mim
alimentando-se da alma,
Anafados e gordos,
consomem-me à colherada
numa chinfrineira sem fim.
Esquecê-los,
jamais esqueci.
Cada vez mais esvaziada
que estou.
Espreito cá para dentro
e sinto vertigens:
Um abismo imenso
profundo,
densamente vazio
que vejo que sou
Onde habitam os meus
fantasmas.
Ouço-lhes os gritos,
Sinto-lhes as mágoas -
pensam que os esqueci.
Ao tempo que vivem em mim
alimentando-se da alma,
Anafados e gordos,
consomem-me à colherada
numa chinfrineira sem fim.
Esquecê-los,
jamais esqueci.
Cada vez mais esvaziada
que estou.
fevereiro 17, 2006
carpe diem .. que a vida não chega.
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Hoje amanheci com a tragédia de alguém que estimo e não páro de pensar nisso. Na precaridade da condição de vida e na forma como nos tornamos sobreviventes do momento que separa o 'fui' com o 'já era'.. Não é preciso muito, de facto, para deixarmos de ter passado e futuro, miscelando tudo num 'melting pot' infernal de soros, plaquetas, plasmas e anticorpos, chamados a fechar feridas. Feridas que suturam o passado e engolem o futuro agora dilatado num presente interminável. O tempo não passa quando queremos curar-nos e foge quando queremos segurá-lo.
Quem diabo escolhe estes instantes em que vidas se decidem?.. E o critério, qual é?
Por mais cuidadosos que sejamos com os comportamentos e os riscos, por mais que evitemos os males conhecidos, por mais que amemos o próximo e exercitemos a moral dos valores cristãos.. por mais e mais e mais que.. ainda não chega!? Não é justo.
Nascemos para morrer?
[por isso] Não faz sentido que ignoremos constantemente a precaridade da condição de sobrevivente à imprevisibilidade do quotidiano dos dias que amanhecem normais e acabam com a normalidade dos dias futuros; que nos perdamos no luxo das considerações e dos 'ses' e se aja tão pouco.
De tudo,
ao fim e ao cabo,
a morte..
De sempre,
presente,
à distância de um segundo,
a morte.
Tudo acaba aqui.
Serão mais afortunados os que partem depressa.. Sem tempo para se arrepender?..
Às vezes o significado de uma vida está naquele momento em que pensamos: “se tivesse mais tempo..” ..
No momento em que já não podemos fazer mais nada é que a “vontade” nos ocorre.
Nascemos para morrer e enquanto vivos, desleixamos a felicidade ao jogar fora oportunidades de sermos felizes, de corrigir o mal que fazemos, de nos sentirmos humanos e VIVOS, como se soubéssemos que temos tempo de sobra antes do fim de tudo..
Às vezes o significado de uma vida está naquele momento em que pensamos: “se tivesse mais tempo..” ..
No momento em que já não podemos fazer mais nada é que a “vontade” nos ocorre.
Nascemos para morrer e enquanto vivos, desleixamos a felicidade ao jogar fora oportunidades de sermos felizes, de corrigir o mal que fazemos, de nos sentirmos humanos e VIVOS, como se soubéssemos que temos tempo de sobra antes do fim de tudo..
Só os fundamentalistas pensam que não morrem e têm tempo para gastar em manobras de causas insolvíveis. ..
Numa exitência perecível, criar(1) é a única forma de passar além da vida e sobreviver.
.. na obra e na memória do tempo.
(1) "Criar" v. tr. dar existência a; tirar do nada; gerar; produzir; promover a procriação de; amamentar; alimentr para desenvolver; inventar; fundar; educar; ... refl. alimentar-se; sustentar-se; nascer; originar-se; produzir-se; ..
Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora.
fevereiro 15, 2006
fevereiro 14, 2006
fevereiro 13, 2006
Deixa a mão..
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Deixa a mão
caminhar
perder o alento
até onde se não respira.
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Deixa a mão
errar
sobre a cintura
apenas conivente
com nácar da língua.
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Só um grito desde o chão
pode fulminá-la.
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A morte
não é um segredo
não é em nós um jardim de areia.
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De noite
no silêncio baço dos espelhos
um homem
pode trazer a morte pela mão.
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Vou ensinar-te como se reconhece
repara
é ainda um rapaz
não acaba de crescer
nos ombros
a luz
desatada
a fulva
lucidez dos flancos.
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A boca sobre a boca nevava.
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by Eugénio de Andrade
fevereiro 10, 2006
.. das paixões
.
a nudez do teu corpo
é ideia que vaga solta
no campo da fantasia
abre portas,
ressuscita sonhos
e incendeia
as minhas emoções.
by Ademir A. Bacca
fevereiro 09, 2006
Insensatez..
.
Eu navego
em ti
o desejo insano
que persegue
anos a fio.
Nas águas perigosas
do teu cio
eu me deixaria afogar
de vez.
by Ademir A. Bacca
Eu navego
em ti
o desejo insano
que persegue
anos a fio.
Nas águas perigosas
do teu cio
eu me deixaria afogar
de vez.
by Ademir A. Bacca
fevereiro 02, 2006
The Cat
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Come, come, sweet cat! Come! On my bosom lie;
I beg you, let the claws retract.
Come, let me plunge myself into your eyes
Where agates fused in iron refract.
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And while my longing fingertips caress,
You writhe and stretch yourself and purr;
My hands grow numb with aching to possess
The life in your electric fur.
.
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I see my lover in my mind. Her glance,
Like yours, dear beast, as well I know,
Profound and cool, can pierce me like a lance
.
.
Or fend me off. From head to toe
A dangerous perfume pervades the air
That bathes her tawny hide and hair.
.
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"The cat" by C. Baudelaire